Dia de Finados

o vento arromba a janela
e revela
– por entre as cortinas –
o azul solar do dia
e as risadas duns meninos

de dentro da casa
um garoto
pára

observa
– comovido –
o dia

sente algo estranho
um nojo bonito
uma ânsia clara
sente um horror que brilha

(não, garoto,
ainda não era poesia)

era domingo

e era o cheiro doce das flores
– terrivelmente doce –
coroando colorindo
coroando o que mal cheirava
e à palidez colorindo

levanta ainda antes
que lhe falte o ar
e fecha a janela
às travas

e, com quase
o mesmo rosto,
retoma o
delicado trabalho
– em que estava –
de empalhar os mortos.

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~ por jeffvasques em 11/02/2010.

2 Respostas to “Dia de Finados”

  1. Que poema, Jeff.

    “sente um horror que brilha

    (não, garoto,
    ainda não era poesia)”

    Isso é genial!!!

    Beijo.

  2. Muito interessante.
    Fez-me lembrar Luiz Coronel.

    Abraço.

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