Entre uma e outra marchinha

1. Vincent


“O que sou eu aos olhos de outras pessoas?
Um nada? Um excêntrico?
Uma pessoa desagradável?
Alguém que não tem lugar na sociedade ou
jamais terá. Em resumo, o mais baixo de todos.
Tudo bem, então, mesmo que isso seja totalmente verdade,
um dia, eu gostaria de mostrar com meu trabalho
o que um nada, o que um ninguém
tem em seu coração.”

Vincent Van Gogh
(numa das últimas cartas ao seu irmão Theo – na ótima série de documentários da BBC “O Poder da Arte”)

Obs.: Algumas coisas que me impresionaram e que desconhecia: Vincent começa a pintar apenas aos 30 anos. Ele queria salvar as pessoas, pregava a palavra de deus entre os miseráveis, entre os mineiros. Foi expulso da ordem missionária em que participava (por excesso de zelo) e então decidiu levar a beleza e a maravilha da vida através das pinturas aos trabalhadores (porque estes, pela quantidade de horas de trabalho, não tinham possibilidades de observar a maravilha da vida!). O quadro, acima, é uma de suas primeiras obras-primas, “Os comedores de batatas” – única comida disponível para vários trabalhadores à época).

2. Jack


– Se eu lhe desse algo para comer agora, nunca mais o veria de novo. Ah, conheço gente do seu tipo! Olhe pra mim. Não devo nada a ninguém. Nunca me rebaixei a ponto de pedir comida. Sempre ganhei meu pão. Seu problema é ser preguiçoso e relaxado. Dá pra ver isso na sua cara. Sempre trabalhei e fui honesto. Foi assim que me tornei quem sou. E você pode fazer o mesmo se trabalhar e for honesto.
– Como você? – perguntei.
Nunca um lampejo de humor deve ter penetrado o espírito sombrio daquele homem embrutecido pelo trabalho.
– Sim, como eu – respondeu.
– Todos nós? – perguntei.
– Sim, todos vocês – respondeu, a convicção vibrando na voz.
– Mas, se todos nós nos tornássemos como o senhor – falei -, me permita dizer que não haveria ninguém para descarregar tijolos para você.
Juro que percebi um brilho irônico no olhar da esposa dele. Já o homem ficou pasmo… no entanto, jamais saberei se foi por meu atrevimento ou pela assustadora possibilidade de uma humanidade reformada que não mais descarregasse tijolos pra ele.

(Jack London, narrando suas peripécias como mendigo no texto “Confissão” no livro “A Estrada”)

3. Antônio

“Se de fato o indivíduo, para mudar, tem necessidade de que toda a sociedade tenha mudado antes dele, mecanicamente, sabe-se lá por qual força sobrenatural, nenhuma mudança jamais ocorreria”

(Antônio Gramsci nos “Cadernos do Cárcere” no texto “Natural, contra a natureza, artificial etc.”)

o que casa bem com este trecho da 3a tese sobre Feuerbach de Marx:

“A coincidência do mudar das circunstâncias e [do mudar] da atividade humana, ou a auto-transformação, só pode ser apreendida e racionalmente entendida como práxis revolucionária.”

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~ por jeffvasques em 15/02/2010.

3 Respostas to “Entre uma e outra marchinha”

  1. obrigado pela visita no blog camarada. tenho gostado de tudo o que tenho encontrado até aqui neste espaço. sempre bom saber que não estamos sós nesse caminhos de busca de uma produção artística que sangre abundantemente liberdade. abços

  2. estou te adicinando a minha lista de blogs…

  3. Legal sua presença aqui, também, Julio! Vamos nos conectando, porque não somos muitos… (mas vamos por “ancho camino” ;) To te adicionando aqui tambem! Abraçao, jeff

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