Quilapayún


“A sociedade burguesa quer que a arte seja outro fator que contribua para a alienação social; nós, artistas, devemos transformá-la em uma arma revolucionária até que a contradição que existe realmente entre a arte e a sociedade seja, finalmente, superada. “ (trecho do encarte do Album “Basta”, 1974, Quilapayún)

Tocar para as massas, num show popular, canções que partem de suas raízes culturais mas transformadas para um fim emancipador, criticando o governo de direita recém eleito, cutucando a esquerda que não consegue se unir, animando todos com seu chamado alegre para a luta… e ainda ser transmitido para milhões via TV… foi exatamente isso que fez o grupo chileno Quilapayún em sua apresentação no festival de Olmue no Chile, agora em março. Adaptaram a letra de uma antiga música do grupo chamada “La Batea” à realidade atual, criticando o fato de se ter elegido “Piñera” para presidente do Chile (um magnata direitoso), assim como o fato da esquerda no chile (no mundo?) estar toda fragmentada, facilitando a ação dos conservadores. Originalmente, essa música, feita durante o governo de Allende, falava das tentativas de boicote da direita aos programas de reformas radicais.

Segue, abaixo, um vídeo antigo com a letra original de “La batea” e depois o vídeo do show recente de março, com a letra atualizada. Esse vídeo recente foi censurado pela Chillevision, canal que transmitia o festival de Olmue, e está sendo retirado repetidamente do Youtube. Talvez este vídeo saia do ar em breve, portanto. Mas eu já baixei e, qualquer coisa, subo novamente.

Que felicidade saber que existem grupos ainda revolucionários como Quilapayún!!!

Um pouco sobre o Quilapayún

Quilapayún surgiu em 1965 quando Julio Numhauser e os irmãos Julio e Eduardo Carrasco deram forma a um trio de música popular que se chamava “os três homens barbados” (“Quila-Payún” em mapuche, língua nativa dos povos da região sul do Chile). Seu diretor musical, em seu início, foi Ángel Parra (o filho de Violeta Parra). Em 1966 o grupo começou a ganhar notoriedade com sua música andina e a ser facilmente reconhecido pelos seus ponchos pretos, marca registrada do grupo. O encontro com Victor Jara foi decisivo. Este passou a ser o diretor musical e artístico do grupo e influenciou profundamente a estética e ética do grupo. O contexto político de ascenção de Allende ao governo funcionou como catalizador de todos essas experiências artísticas inovadoras: uma mistura única de temas tradicionais da cultura andina com a luta política revolucionária do Chile e de todos os povos (Quilapayún fez diversas músicas para campanhas do governo de Allende.) Com seu disco “Basta”, uma coleção eclética de canções de luta de povos de todo o mundo, marcam definitivamente a Canção Nova latinoamericana, sua opção pelo socialismo e tornam-se mundialmente conhecidos. Com a derrubada de Allende, o grupo se exila na França e, então, racha (não só os grupos políticos estão sujeitos a isso!). Há, hoje, o Quilapayún de luta, que se apresenta pelo Chile e é exibido neste post, e um outro Quilapayún que fica pela França e roda a Europa e se aburguesou.

Vídeo da década de 70 – “La batea” original


Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea.

El gobierno va marchando, qué felicidad,
la derecha conspirando, qué barbaridad,
va marchando, conspirando,
pero el pueblo ya conoce la verdad.

Por el paso de Uspallata, qué barbaridad,
el momiaje ya se escapa, qué felicidad,
En Uspallata hacen nata,
que se vayan y no vuelvan nunca más.

Ya perdieron la cordura, qué barbaridad,
sabotear la agricultura, qué fatalidad,
que chuecura las verduras
los culpables son de Patria y Libertad.

“La batea” atualizada, festival de Olmue 2010 – VÍDEO CENSURADO


Con el voto de la gente, qué felicidad,
Ya tenemos presidente, qué barbaridad.
Con la gente, presidente,
Para Chile hay que ponerse a trabajar

Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea. (x 2)

No salió mi candidato, qué barbaridad,
Hay Piñera para rato, qué fatalidad.
Candidato, para rato,
En Lan Chile vamos todos a volar,

Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea. (x 2)

Ya esta bueno de partidos, qué barbaridad,
Que van todos divididos, qué fatalidad.
Los partidos divididos
Sino se unen no van a resucitar

Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea. (x 2)

La batea, ea ea, qué barbaridad
La batea ea ea, qué felicidad (x 4)

Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea. (x 2)

La batea, se menea (x 6)

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~ por jeffvasques em 13/05/2010.

Uma resposta to “Quilapayún”

  1. Jeff, o blog vai cada vez melhor, parabéns!!!

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