praquês


Mergulhado esta semana nos livros, tentando escrever alguma coisa da dissertação de mestrado… mergulhado em gramsci… nesses mergulhos não é difícil ir esquecendo das motivações reais de tudo isso (a universidade, o intelecto, a vaidade vão te seduzindo com outras tantas motivações). Aqui tra(b)duzo um poema do Roque Dalton que me ajuda a não esquecer dos verdadeiros porquês. E depois um trechinho que achei bonito do Gramsci…

A pequena burguesia

(sobre uma de suas manifestações)

Os que
no melhor dos casos
querem fazer a revolucão
para a História para a lógica
para a ciência e a natureza
para os livros do próximo ano ou para o futuro
para ganhar a discussão e inclusive
para sair, enfim, nos jornais
e não simplesmente
para eliminar a fome
dos que têm fome
para eliminar a exploração dos explorados.
É natural então
que na prática revolucionária
cedam somente ante ao juízo da História
da moral do humanismo da lógica e das ciências
dos livros e dos jornais
e se neguem a conceder a última palavra
aos esfomeados, aos explorados
que têm sua própia história de horror
sua própria lógica implacável
e terão seus própios livros
sua própria ciência
natureza
e futuro.

Trecho Gramsci sobre mudança individual x social

“(…)O homem deve ser concebido como um bloco histórico de elementos puramente subjetivos e individuais e de elementos de massa e objetivos ou materiais, com os quais o indivíduo está em relação ativa. Transformar o mundo exterior, as relações gerais, significa fortalecer a si mesmo, desenvolver a si mesmo. É uma ilusão e um erro supor que o “melhoramento” ético seja puramente individual: a síntese dos elementos constitutivos da individualidade é “individual”, mas ela não se realiza e desenvolve sem uma atividade para fora, transformadora das relações externas, desde aquelas com a natureza e com os outros homens em vários níveis, nos diversos círculos em que se vive, até a relação máxima, que abarca todo o gênero humano. Por isso, é possível dizer que o homem é essencialmente “político”, já que a atividade para transformar e dirigir conscientemente os outros homens realiza sua “humanidade”, a sua “natureza humana”.”
[pag. 406-407 (cadernos do cárcere, caderno 10)]

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~ por jeffvasques em 26/05/2010.

Uma resposta to “praquês”

  1. Hey Jeff,
    vc provavelmente conhece a último parágrafo dos manuscritos econômicos-filosóficos, né? Lembrei dele porque é como esse trecho do Gramsci que vc colocou, aquele tipo de coisa que vc lê e se dá conta das suas opções, de porquê as fez e fica inflado de vida. É muito bonito e faz bem pra saúde…rs
    beijo

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