ouvir a poesia

Cássio num solo interior (guitarra, baixo, vocal, escaleta, kulelê, acordeon, etc)

Hoje de manhã parei a correria toda desta semana de escritura da dirce (como diz uma amiga sobre a dissertação de mestrado) para ir gravar no estúdio algumas músicas da banda que faço parte, a “Paramnese (provisória)”. Paramnese é uma disfunção da memória, como se fosse o oposto da amnésia, logo, a pessoa paramnética lembra de coisas que nunca aconteceram, reconhece como antigos amigos pessoas que vê pela primeira vez. Acho que todos deveríamos ser mais paramnéticos na vida, no diadia… o mundo seria bem mais bonito e divertido assim, sem dúvida :)
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Paulo (guitarra, violão), Gera (batera), eu (baixo, percussão, vocal)

Apesar da atividade do estúdio ter sido desgastante e frustante (o estúdio era muito ruim e nos deixou bem na mão), fiquei feliz e emocionado de poder ter encontrado esse grupo de 4 companheiros dispostos a serem tudo que quisermos numa banda. Muito bonito ver uns marmanjos barbados se deixando brincar e sorrir e se emocionar nos ensaios toda segunda… ver a eletricidade entre a gente, no último ensaio, reinventando uma antiga música, espontaneamente, como se descobríssemos uma brincadeira nova, uma força nova dentro do que já fazemos… ah, e a lua, e a lua… :) no fundo, o que move todos, ali, é uma busca (ingênua, talvez, mas nem por isso menos importante) por um pouco de liberdade, numa entrega amorosa à vida (com tudo que ela tem, de bom e ruim) através da música e da poesia, que são os brinquedos com que vamos nos descobrindo juntos. Feliz por tudo isso, que parece tão pouco, mas não é… (sem contar que não há o que pague cantar SurfinBird do Ramones no “bis” numa festa entre amig@s)

Rodrigo (trompete, teclado e vocal principal)


Abaixo vai 2 trechinhos finais da gravação de hoje da música “Rua”, uma das músicas que mais gosto da banda (a letra é do Cássio, que é também um poetinha). Fora de série, na gravação, foi ver o Cássio subvertendo a desgraça, aproveitando a microfonia das caixas (os “técnicos” não nos ajudavam) e fazer uma sonzêra. Ah, e o Rodrigo segurando o coração pulsante da banda na ponta do seu pulmão, na boca do trompete. Pra quem quiser ouvir a música na íntegra ( e ver um pouco da banda), vai no fim do post o “registro” dessa música numa apresentação “acústica” na Unicamp. Há 4 vídeos da banda publicados aqui no blog, para vê-los basta clicar aqui.

Trechos finais da música “Rua” – gravação de 29 junho

Obs.: A gravação tá com variação de volume, as guitarras tão baixas demais… foda mesmo esse estúdio…

trecho final “Rua” – versão 1

trecho final “Rua” – versão 2

Paramnese toca “Rua” – versão “acústica”

Letra de “Rua” (Cássio Corrêa)

Com as mãos enfiadas no bolso,
Da jaqueta de lã marrom,
Atravesso o desespero e sinto a rua.
Paro no precipício da guia,
E me estilhaço em cada olhar.

Sou o bife de ouro do velho-homem-sanduíche,
Compro os caminhões de plástico dos meninos,
Transporto os desejos de cada garota,
Desejo o pão dormido de todo mendigo.

Quero beber o choro de toda namorada,
Abandonar o medo da poça dágua,
Urinar do sino de toda praça,
E ficar num banco, sonhando estrelas.

Anunciei o apocalipse – 9,90
Esmolei ouvidos e acordeons,
Rebolei a calça e o descontrole,
Esperei o sinal menstruar.

Com as mãos enfiadas no bolso,
Nesta fria ave-maria,
Senti-me mais humano,
Mais humano que um grito.

Mais humano que um tijolo,
Mais humano que um rio,
Mais humano que um espelho,
Mais humano que um estilhaço.

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~ por jeffvasques em 30/05/2010.

4 Respostas to “ouvir a poesia”

  1. quero ver isso, nunca vi você tocando baixo! A foto até engana…

  2. ah, vc nunca me viu fazendo um monte de coisa ;) até mestrado eu tô fazendo agora! eheheh (a nossa banda tocou na festa de anivesario da Tina e eu cantei o bis: SurfinBird! Imagina?) bejin, jeff

  3. Talvez esse negócio de paramnese deixasse o mundo mais divertido mesmo, por um breve instante, depois,a falta de novidades talvez tirasse ainda mais a beleza o mundo.
    Gosto bastante de seus escritos e dos potas que divulga, são sempre uma novidade pra mim..hehe

  4. Valeu, Rô! :) Mas veja só… todos paramnéticos estariam sempre inventando suas memórias, então, de certa forma, tudo seria sempre diferente, ou “novo”… :) eheheh… volte sempre! bejao, jeff

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