It aint me baby


Sempre tive dificuldades pra entender meus sentimentos nos relacionamentos com mulheres. A sensação que tenho é que fiquei muito cedo só no mundo e tive que, por conta, ir descobrindo o que cada emoção, cada sensação, cada dor ou batida mais rápida do coração significavam… e ir comparando, e tateando, e usando minha tosca educação afetiva como guia (nunca tive um cara mais velho do meu lado pra perguntar: “isso é assim?”, “como é aquilo?” etc)… até hoje tenho muita dificuldade de discernir tudo isso: o gostar da amizade da paixão do amor do desejo da vontade do ardor etc… e tenho, quase sempre, a terrível-maravilhosa impressão de estar vivendo as coisas pela primeira vez, o que dificulta bastante entender perceber alguma regularidade no que sinto! Além disso têm também as contradições todas do choque entre uma educação afetiva burguesa e uma vontade de um envolvimento sexual e afetivo mais livre… bota mais um tanto de carência nisso tudo e joga dentro de uma conjuntura de descenço das lutas com organizações de esquerda frouxas e pouco empolgantes (o que deixa o cabra-militante um tanto sem rumo e isolado), bate tudo e aí estou eu… apenas mais um rapaz latinoamericano, tentando escrever um “mestrado militante” (patético) e se agarrando no que consegue… se perdendo e se achando nas trincheiras do coração, enquanto a revolução não vem… (exagero essa última frase… soou bonita quando escrevi…) Buenas, todo esse lenga-lenga só pra mostrar uma música do Dylan muito boa que escutei ontem a noite enquanto pensava nisso tudo… “It aint me baby” faz a crítica de forma dura – e bonita – à noção burguesa de amor… essa canção ainda mantém sua força e me agrada bastante, apesar de saber de todos os meus limites e contradições… ;)

Segue na linda interpretação da Joan Baez – que mulher fantástica! – e depois na voz de Johny Cash (grande influência do Dylan), em versão country (o clima alegrinho com a letra pesada deixa essa interpretação impagável!) Letra e tradução no fim. Joan Baez começa a música com a seguinte dedicatória, no concerto da BBC, provavelmente transmitido ao vivo: “Essa é uma música de protesto… dedicada a todas as pessoas casadas da audiência ou que estão pra se casar… porque sou contra casamento!”

Acho muito bom o último verso da música em que diz que se ela quer “um amor pra toda vida e nada mais”, não é ele a pessoa que ela procura… ser apenas o “amor pra toda vida” é muito pouco… é preciso ir além…

It aint me baby (na voz de Joan Baez)

It aint me baby (na voz de Johny Cash)

It aint me, baby (Bob Dylan)

It Ain’t Me, Babe

Go ’way from my window
Leave at your own chosen speed
I’m not the one you want, babe
I’m not the one you need
You say you’re lookin’ for someone
Never weak but always strong
To protect you an’ defend you
Whether you are right or wrong
Someone to open each and every door
But it ain’t me, babe
No, no, no, it ain’t me, babe
It ain’t me you’re lookin’ for, babe

Go lightly from the ledge, babe
Go lightly on the ground
I’m not the one you want, babe
I will only let you down
You say you’re lookin’ for someone
Who will promise never to part
Someone to close his eyes for you
Someone to close his heart
Someone who will die for you an’ more
But it ain’t me, babe
No, no, no, it ain’t me, babe
It ain’t me you’re lookin’ for, babe

Go melt back into the night, babe
Everything inside is made of stone
There’s nothing in here moving
An’ anyway I’m not alone
You say you’re lookin’ for someone
Who’ll pick you up each time you fall
To gather flowers constantly
An’ to come each time you call
A lover for your life an’ nothing more
But it ain’t me, babe
No, no, no, it ain’t me, babe
It ain’t me you’re lookin’ for, babe

Não sou eu, Baby

Vá embora pela minha janela
Vá embora na velocidade que você quiser
Não sou quem você quer, baby
Não sou quem você precisa.
Você diz que está procurando por alguém
Que nunca seja fraco, mas sempre forte
Para proteger e defender você
Sempre que você esteja errada ou certa
Alguém para abrir toda e qualquer porta.

Refrão:
Mas não sou eu, baby
Não, não, não, não sou eu, baby
Não sou eu quem você está procurando.

Vá levemente pelos cantos, baby
Vá levemente pelo chão
Não sou quem você quer, baby
Eu vou sempre te deixar cair.
Você diz que está procurando por alguém
Que prometa nunca partir
Alguém que feche seus próprio olhos por você
Alguém que feche seu coração
Alguém que morra por você e mais.

Refrão:
Mas não sou eu, baby
Não, não, não, não sou eu, baby
Não sou eu quem você está procurando.

Vá fundir-se novamente à noite, baby,
Tudo aqui dentro é feito de pedra.
Não há nada se movendo aqui
E, mesmo assim, eu não estou sozinho.
Você diz que está procurando por alguém
Que vá te segurar cada vez que você cair,
Que vá te dar flores constantemente
E que vá vir sempre que você chamar,
Um amor pra sua vida e nada mais.

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~ por jeffvasques em 15/09/2010.

7 Respostas to “It aint me baby”

  1. Vixe, Jeff. Li/escutei a música e descobri, eu também não sou! Ha!
    Mas sabe o que todo mundo que gosta de paixão gosta de cair né, não é a toa, fall. Enfim, “eu sempre vou te deixar cair” – sinceridade pura é genial. Lembrei desse epigrama da Ceci (sabe, a Meireles, amigona! rs!), vc deve conhecer, mas é sempre bom reencontrar.

    Epigrama No.8
    Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
    Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.

    Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
    fiquei sem poder chorar, quando caí.

    beijoca

    • Mazu! Que saudade! :) Não conhecia não esse epigrama da Cê (mais íntimo ainda!). Vou fazer uma placa de madeira desse epigrama e pendurar na entrada de casa pra sempre lembrar do que diz, ahahaha :) bejão, jeff

  2. ahammmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

  3. também acho que é preciso ir além. parafraseio uma frase que não tenho certeza ser do Rimbaud, mas é preciso reinventar o amor, mas não só o amor, tem que reinventar toda a roda.
    abços jeff.

  4. Bela música, bela reflexão Jeff.
    Não sei se por coincidência estava me debruçando sobre esta questão nestes últimos dias… sobre amar. Talvez seja porque esta é uma questão que sempre paira sobre nós…
    Bem, de qualquer forma, sua relfexão veio de encontro à minha e fico mais aiviada em saber que não estou sozinha nesta “angústia”.

    Beijão!

  5. Ah, jeff gosto demais dessa música e da poesia bonita e arrogante do Bob Dylan, pra mim é a música mais romantica que tem por tratar o amor na sua realidade crua.
    Beijos Maíra

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