Poesia de luta?



Texto que fiz para abrir a exposição de poesias da 3a Mostra Luta:

Poesia de luta?

“En la lucha de clases, todas las armas son buenas:
piedras, noches, poemas.” Paulo Leminski

Poesias comprometidas com a minha e com a tua vida, como nos diz Thiago de Mello. Poesias que não são somente para o deslumbramento, grande adereço da melancolia, como falava Dalton, mas que seguem sendo belas entre as belas armas reais que brilham debaixo do sol, entre nossas mãos e sobre nossos ombros. Poemas que no povo se fazem maduros como o sol na garganta do futuro, afirmou certo Gullar. Poesias daqueles que sabem que nem só de poesia vive o poeta, que há o fim do mês, como sempre nos alertou Solano Trindade; poesia dos que sabem que a vida, cutucava Otto Castillo, é a mais alta poesia. Poesia que é menos que poesia, talvez anti-poesia como ensinou Nicanor Parra, ou então é mais que poesia, é a muralha – de Guillén – se abrindo diante do coração amigo e se fechando para o veneno e o punhal traiçoeiros. Um incêndio no sangue, sentia Rugama, um relâmpago perpétuo, trovejava Scorza.

É esse tipo de poesia que você encontrará exposta, aqui, na 3ª Mostra Luta. Essa “poesia suja” fruto da luta, da revolta contra a ordem. Poesia que crava pés no chão para abrir, no olhar, horizontes. Poesia contraditória. Sim dentro do não. Poesia para os que precisam se enternecer, sem perder a dureza, jamais!
Sim, camaradas, há lugar para os poetas na barricada…

HÁ UM LUGAR NA BARRICADA (Pedro Tierra)
Quando o povo bater à porta,
não te encontre com as mãos
vazias.

Confere as coisas embaladas: não
se permitem dúvidas nas bagagens
de guerra.

Se entre os companheiros ainda
há quem pergunte a razão
dos poetas,

encontra, primeiro, teu lugar na
barricada, depois, entre os combatentes,
aponta

o rosto enérgico de tua poesia.

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~ por jeffvasques em 14/10/2010.

2 Respostas to “Poesia de luta?”

  1. com rios
    com sangue
    com chuva
    ou orvalho
    com sêmen
    com vinho
    com neve
    com pranto
    os poemas
    sempre são papel molhado

    Mário Benedetti

    Belo texto de abertura! Bjin.

  2. :) Obrigado, e bela lembrança dessa poesia do Benedetti! bejin, jeff

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