Maus tempos para a poesia


Maus tempos aqui pra postar no blog… mudanças gerais, mudança de casa, de ares, abrindo portas e janelas e tem ainda a qualificação… correria demais pra conseguir postar algo… mas, passado o carnaval (pro qual estava me guardando ;) voltamos a normalidade passarinheira!

MAU TEMPO PARA A POESIA (BRECHT)

Sim, eu sei: só o homem feliz
É querido. Sua voz
É ouvida com prazer. Seu rosto é belo.

A árvore aleijada no quintal
Indica o solo pobre, mas
Os passantes a maltratam por ser um aleijão
E estão certos.

Os barcos verdes e as velas alegres da baía
Eu não enxergo. De tudo
Vejo apenas a rede partida dos pescadores.
Por que falo apenas
Da camponesa de quarenta anos que anda curvada?
Os seios das meninas
São quentes como sempre.

Em minha canção uma rima
Me pareceria quase uma insolência.

Em mim lutam
O entusiasmo pela macieira que floresce
E o horror pelos discursos do pintor.
Mas apenas o segundo
Me conduz à escrivaninha.

(Brecht; poemas – 1913-1956. Trad. Paulo Cesar Souza. Brasiliense, 1986. p. 229.)

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~ por jeffvasques em 04/03/2011.

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