Charles Bukowski


Muita correria, sem tempo de escrever ou traduzir. Segue aqui então três poemas do Buk traduzidos e publicados em meu antigo blog.

SOZINHO COM TODO MUNDO

a carne cobre o osso
e eles jogam uma mente
ali dentro e
às vezes até alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homens bebem
muito
e ninguém acha
aquele escolhido que procuram
mas continuam
rastejando pra dentro e pra fora
das camas.
o osso e a
carne procurando
mais do que
carne.

não há chance
alguma:
estamos todos presos
por um destino
singular.

ninguém nunca encontra
o outro que procura.

os esgotos enchem
os ferros-velhos enchem
os hospícios enchem
os hospitais enchem
os cemitérios enchem

nada mais
se preenche.

OLÁ, COMO VAI VOCÊ?

este medo de ser o que eles são:
um morto.

pelo menos eles não circulam pelas ruas, eles
se cuidam e ficam lá dentro, aqueles
branquelas esquizóides
que se sentam solitários na frente de suas tvs,
com suas vidas cheias de risadinhas mutiladas e enlatadas.

sua vizinhança ideal
de carros estacionados
de gramadinhos verdes
de casinhas
de portinhas que se abrem e se fecham
quando seus parentes aparecem pra uma visitinha nos feriados
as portas se fechando
diante dos que morrendo morrem tão lentamente
diante dos mortos que ainda estão vivos
na sua quieta e típica vizinhança
de ruas sinuosas
de agonia
de confusão
de horror
de medo
de ignorância.

um cachorro parado atrás da cerca.

um homem silencioso na janela.

TARDE DEMAIS

Ah sim

há coisa piores que
estar sozinho
mas leva-se décadas,
em geral,
pra se perceber isso
e na maioria das vezes
quando você percebe
é tarde demais

e não há nada pior
do que
tarde demais.

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~ por jeffvasques em 01/04/2011.

2 Respostas to “Charles Bukowski”

  1. Triste demais (embora bonito)! Colaborou para uma amargura que está me rondando. Tomarei mais cuidado ao ler este Bukowski…

    • a poesia do Buk é o dejeto da sociedade norte-americana, ou melhor, é o espelho cru dela… é o anti-lirismo… pesado mesmo… mas se te ajuda a trazer a amargura à tona, pode ser bom… fingir que ela não está aí tampouco ajuda, né… mas, claro, há momentos e momentos… beijo, jeff

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