A Rosa Blindada 2


Continuando a tradução dos prólogos do livro “A Rosa Blindada” do poeta argentino Raúl González Tuñon.

Prólogos de “A Rosa Blindada”

Se alguém me peguntasse Que é a poesía? não teria outra saída senão contestar: A poesia é a poesia, mais o mundo, mais o homem, mais o poeta, mais a poesía. Se alguem me preguntasse que é um poema, contestaria: Até o lider da chamada “neutralidade” já disse que um poema que não contenha nada mais que poesia não é um poema. Citei uma frase de Valery.

Participei dos movimentos literarios de vanguarda e, sobretudo, o surrealismo contou com meu entusiasmo firme. Foi uma maneira de evadir-se e voltar à multitude, de ganhar a rua, de exercitar valentia, de confesar-se, de equivocar-se, de reivindicar valores esquecidos pela burguesía, de voltar a impor o gesto poético sobre o proibido, de exercitar valentia, repito, para entrar logo de cheio – os que soubemos fazer-lo – no drama do homem e sua esperança, nos anseios do homem, en seu destino “sobre a terra”. Por isso posso dizer agora com Day Lewis que a revolução na literatura começou mas sem uma revolução social será fácil e sem trascendência.

Me parece que agora há que se fazer poesia revolucionária. Isto não quer dizer que os demais poetas, se são poetas, deixem de sê-lo ao não sentir a necessidade de expressar-se revolucionariamente, no sentido da propaganda. O que exigimos deles é uma atitude antifascista concreta, porque o fascismo é o inimigo da cultura e da arte, tanto como da dignidade humana. Me parece também que há que aclarar quando se fala do chamado artepurismo. Há dois grupos nesta tendência: por um lado estão os “puros”, os desumanizados, os novos retóricos, cuja obra, abundante em cupidos, metáfora por metáfora, discos conhecidos, frescuras ao revés, tragédias pessoais sem profundo valor humano, não interessa, não é arte; é subarte, apenas, e por outro lado aqueles que embaralham em seus poemas elementos quentes, que fazem não uma obra revolucionária, mas uma obra viva, cheia de terra e pranto, coberta de raízes e de sangue. A posição destes últimos é discutível do nosso ponto de vista, mas é humana e séria. Por outra parte os escritores que não sintam o tema revolucionário serão arrastados a ele cedo ou tarde por imperativo de sua consciência mesma de artistas. Pensemos en Alejandro Blok. O antigo poeta puro, o antigo habitué do Repouso dos Comediantes e do Albergue de los Cachorros Perdidos se viu, em 1918, frente a revolução. “Em seus poemas – disse Goriely – demostrou que há épocas em que a vida se tornar superior a toda poesia, em que é necessário escrever com simplicidade para chegar aos homens e esclarecer-lhes o profundo sentido dos acontecimentos históricos que vivem.”

Creio que o ofício do poeta é grande. (Embora nos países burgueses os poetas sejam desprezados pelas classes dirigentes, na Rússia receben a Pasternak nas fábricas e os kolkoses com músicas e flores). Gosto de conversar em qualquer mesa – se diante de um copo de vinho, melhor- sobre temas, segredos, achados, infortúnios, felicidades, coisas da poesia e dos poetas. Mas também gosto de estar pronto para quando haja que disparar sobre alguém com um poema ou com o que seja.

Arthur Rimbaud foi a poesia, a grande aventura poética, mas em certo momento gritou: “Transformai a vida!”.

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~ por jeffvasques em 08/09/2011.

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