Mais Idea Vilariño


JÁ NÃO

Já não será,
já não viveremos juntos, não criarei teu filho
não coserei tua roupa, não te terei de noite
não te beijarei ao partir, nunca saberás quem fui
porque me amaram outros.

Não chegarei a saber por que nem como, nunca
nem se era de verdade o que disse que era,
nem quem foste, nem quem fui para ti
nem como teria sido vivermos juntos,
querer-nos, esperar-nos, estar.

Já não sou mais que eu para sempre e tu
Já não serás para mim mais que tu.
Já não estás em um dia futuro
não saberei onde vives, com quem
nem se te lembras.

Não me abraçarás nunca como essa noitee, nunca.
Não voltarei a tocar-te.
Não te verei morrer.

A CANÇÃO E O POEMA

Hoje que o tempo já passou,
hoje que já passou a vida,
hoje que me rio se penso,
hoje que esqueci aqueles dias,
não sei porque me desperto
algumas noites vazias
ouvindo uma voz que canta
e que, talvez, é a minha.
Quisera morrer — agora— de amor,
para que soubesses
como e quanto te queria,
quisera morrer, quisera… de amor,
para que soubesses…
Algumas noites de paz,
— se é que as há todavia—
passando como sem mim
por essas ruas vazias,
entre a sombra estreita
e um triste odor de glicínias,
escuto uma voz que canta
e que, talvez, é a minha.
Quisera morrer — agora — de amor,
para que soubesses
como e quanto te quería;
quisera morrer, quisera… de amor, para que soubesses…

 

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~ por jeffvasques em 29/10/2011.

Uma resposta to “Mais Idea Vilariño”

  1. Meu querido poeta
    só assim para dar uma brecada
    na vida.

    Abraço,

    J.

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