Etcétera


ETCÈTERA

(Ángela Figuera Aymerich, Espanha)

O pai trabalhava na mina.
A mãe trabalhava nas casas.
O menino andava pela rua
aprendendo boa conduta.

Ao fim da noite os três juntos
ao redor do jarro e da sopa.
O pai em seu legítimo direito,
tomava para si a melhor parte.
A mãe dava ao menino do seu.
O menino sorvia e terminava
pedindo chocolate ou tangerinas.
O pai lhe golpeava quatro gritos
(sempre bebia ao fim além da conta)
e logo falava mal do governo
e logo se deitava com as botas.
O menino dormia sobre o cotovelo.
A mãe o deitava os pescoções
e logo abria a torneira e reclamava,
que vida, Deus, esfregando as louças,
e logo falava mal do marido
e logo lhe lavava a camisa
e logo se deitava como é justo.

Bem de manhã no dia seguinte
o pai descia aos poços,
a mãe subia às casas,
o menino saía à rua.
Etcétera. Etcétera. Etcétera.

(Não sei porque comecei a contá-la.
É uma história chata
e todos sabem como acaba.)

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~ por jeffvasques em 05/10/2012.

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