Codependência: a importância do inventário!


Este blog é meu espaço de luta íntima contra a ordem, que se dá pela arte que exponho aqui, mas também pelas reflexões sobre todos os temas que abordam as lutas mais sutis, menos tagíveis, e mais “internas” (falo “internas” pra demarcar a preponderância da subjetividade nessa luta, mas é sempre importante lembrar que a subjetividade individual é também construída pela subjetividade coletiva, objetivamente).

Vou começar, a partir de agora, a abrir espaço aqui no Eupassarin pra falar sobre a luta contra a codependência afetiva, um transtorno de personalidade que envolve enorme quantidade de pessoas em nossa sociedade e é muito pouco divulgada e conhecida. Falar sobre isso me ajuda em minha própria luta íntima e, claro, espero que possa ajudar outros em seu processo próprio de luta. No post anterior, vc pode encontrar links para livros que buscam desvendar a codependência afetiva.

O QUE É A CODEPENDÊNCIA AFETIVA?

A grosso modo, o codependente afetivo é um indivíduo que, por ter vivenciado relações desajustadas/abusivas quando criança em sua família, apreende padrões “imaturos” de comportamento que lhe impedem de lidar com 5 fundamentos básicos do “ser adulto”:

1. vivenciar níveis adequados de auto-estima;
2. estabelecer limites funcionais entre sua identidade e a do outro;
3. admitir e expressar sua própria realidade;
4. tomar conta de suas necessidades e desejos adultos;
5. experimentar e expressar moderadamentes sua realidade;

É justamente por não conseguir realizar adequadamente esses 5 fundamentos que o codependente afetivo depende patologicamente de um outro / do outro; busca incessantemente ser aceito pelo outro, necessitado pelo outro:

1. por sua baixa auto-estima precisa de alguém que se disponha a fazer tudo que possa para atender suas necessidades de carinho, atenção, segurança (nunca completadas), assim como, se dispõem igualmente a fazer tudo por seu parceiro;

2. se funde com o parceiro afetivo, o casal vira uma “gosma”, onde a individualidade dos dois se confunde ou se perde (não existe eu, você e a relação, mas euvocêrelação)… qualquer rompimento nessa relação é um rompimento com o próprio sentido de identidade dos indivíduos-unos, gerando assim terrível sentimento de abandono, perda e vazio;

3. dificuldade de assumir o que sente e deseja, e, portanto, assumindo os desejos e sentimentos do outro como seus… precisa do outro pra decidir o que fazer, pra saber que rumo tomar;

4. o outro toma conta de minhas necessidades básicas, “sem ele não consigo fazer nada”!

5. a insegurança e ansiedade faz o codependente operar entre extremos de emoções e comportamentos, dificultando a moderação em sua forma de se expressar, agir e ser.

A codependência é pouco vista como transtorno psicológico em nossa sociedade, já que o amor romântico (anulação de identidade pelo outro, o fazer-tudo-pelo-outro) é visto como positivo e incentivado. Veja, é claro que dependemos uns dos outros… isso é essencial para a vida coletiva e para nossa vida emocional (interdependência). Mas a codependência se refere a uma dependência patológica, fora da qual a pessoa praticamente deixa de existir (por isso mesmo, em geral, ao término de uma relação engatam rapidamente uma outra).

O INVENTÁRIO

A codependência diz respeito a um padrão de comportamento adquirido na infância em situações de abuso ou trauma, mas que não se faz mais necessário na vida adulta. Por ser um padrão de comportamento, este pode ser remodelado. Um importante processo ao se perceber/intuir codependente é realizar seu inventário afetivo ou de relações. (ATENÇÃO: É sempre recomendável o acompanhamento de um psicólogo como um ponto isento que poderá te orientar na reconstrução de um padrão afetivo de comportamento saudável.)

O que é fazer o inventário afetivo?
É relembrar, com o máximo de detalhes possível, de todos seus relacionamentos significativos (do mais recente, voltando no tempo até o primeiro) buscando verificar como se manifestavam as 5 caracteristicas fundamentais da codependência elencadas acima. Quais eram os sentimentos presentes, como as relações começaram e por que terminaram, como terminaram, quais as memórias afetivas marcantes de cada relação, barreiras, sofrimentos, alegrias.

Qual a importância de se fazer o inventário?
Além de permitir confirmar o padrão da codependência, fazendo isso você pode compreender como os padrões da codependência se manifestam especificamente em sua personalidade e buscar evitar esses mesmos padrões. Por exemplo, posso perceber que todos meus envolvimentos se aprofundam vertiginosamente, em muito pouco tempo, ganham intimidade quase instantânea. Isso pode ser um importante sinal de que não se está respeitando os limites de individualidade numa relação (o mergulho rápido para a “gosma”).

A FALSA IMAGEM DE SI

Muitas vezes, o codependente interpreta suas pulsões (padrões compulsivos de comportamento codependente) como qualidades positivas de sua personalidade. Por exemplo: um individuo que se vê “autônomo” pois pouco se envolve ou cria vinculos afetivos efêmeros; ou outro que estabelece muitos parceiros sexuais e vê nesse padrão a realização de sua liberdade afetiva. Na realidade, buscam ajustar suas idéias ao padrão compulsivo de comportamente que justamente os faz codependentes (atenção, estou me referindo especificamente a pessoas codependentes… esses padrões podem aparecer em pessoas não-codependentes e não necessariamente implicam em transtorno de personalidade).

Na verdade, toda compulsão ou padrão obsessivo é desenvolvido para evitar o sofrimento (tenho vários parceiros sexuais para me sentir nutrido, seguro, querido; evito vínculos para não me expor ou perder meus limites de identidade, já pequenos), mas esses mesmas compulsões acabam por manter o indivíduo dentro do padrão geral de codependência, impedindo que ele possa estabelecer relações saudáveis através de outro procedimento, outro padrão de comportamento: posso me envolver e buscar criar vínculos respeitando minha identidade, sem sacrificá-la; posso obter atenção, segurança e carinho de outras formas que não exclusivamente através do sexo ou de parceiros efêmeros.

Justamente, por causa dessas falsas imagens de si, é importante, na realização do inventário, buscar olhar com franqueza sua própria história, buscando não se justificar, não se defender, não se culpar, mas verificar os fatos e os sentimentos presentes nas relações anteriores. Se possível, é importante conversar com os ex-namorados e amigos que acompanharam a relação para que se possa ter um outro ângulo de observação, já que, como disse acima, muitas vezes estamos imersos em nossas propria idealizaçãoo-codependente e vemos certos padrões da codependência como “naturais” ou “positivos”, “desejáveis”.

É importante ter em mente que a codependência pode se manifestar mesmo
em relações com amigos íntimos (portanto, vale a pena fazer inventário
também das relaçoes de amizade mais próximas); em relações que não se
oficializam como namoro (“ficadas” regulares ou ficadas irregulares, mas múltiplas e constantes, já que o codependente pode buscar não se “comprometer” evitando o sofrimento de uma antiga relação-codependente, mas, mesmo assim, estabelece relações de codependência com vários parceiros buscando, muitas vezes, no sexo o carinho, atenção e segurança que demandava de um parceiro fixo); ou ainda em não-relações (o bloqueio de vínculo é um recurso muito utilizado por codependentes que já se “escaldaram” e conhecem os riscos da “gosma” (como eu chamo) nas relações em que se “entregam”). Esses últimos codependentes, devido a dificuldade de criarem limites de individualidade saudáveis com seu parceiro (se machucando nesse processo), acabam por instaurar barreiras que os afastam dos relacionamentos afetivos, ou só se permitem entrar em relações fadadas ao fracasso desde o início. Podem parecer independentes, mas são igualmente codependentes.

O inventário deve ser feito até se chegar ao primeiro relacionamento e, depois, é fundamental que se faça também o inventário das relações familiares. No inventário da família é importante conversar com os parentes envolvidos diretamente ou indiretamente. São com essas relações que, em geral, temos menos clareza e uma percepção mais turva da realidade. É nelas que está a origem do padrão codependente de personalidade, por isso, muito mais difícil de abordar.

A CODEPENDÊNCIA NA ARTE

A codependência é incentivada pelo padrão romântico de relacionamento em nossa sociedade. Logo, a arte de nossa época (em grande medida, romântica) está cheia de referências a codependência. Abaixo, uso 3 canções para exemplificar a codependência nas artes.

a 1a) “I hope i dont fall in love with you” (Tom Waits) evidencia, de forma muito bela e dramática, o comportamento típico do codependente que evita o vínculo afetivo e se permite o apaixonamento apenas quando a pessoa desejada sai de cena, ou seja, se abre apenas em situações fadadas ao fracasso. Isso fica evidente, na canção, apenas no último verso da música quando, assim que a mulher desejada (mas negada) sai do ambiente, o personagem percebe que está apaixonado por ela.

a 2a) “He Said, She Said” de Joe Purdy mostra a conversa entre um casal que depende excessivamente um do outro e que, apesar disso, juntos não conseguem viver. A codependência vai, ao longo do tempo, sugando a energia de ambos (ou mais de um dos indivíduos da relação) trazendo a tona o sentimento de vazio e baixa-auto estima que não se resolve por mais antencioso/entregue que um parceiro seja com o outro. A letra, à primeira vista, parece mostrar o desejo intenso de ficarem juntos e a lamentação pela separação. Mas com uma leitura mais calma você pode perceber que o personagem na verdade se obriga a se afastar de seu parceiro para fazê-lo crescer (“Going away love can’t you see / I can’t take you And you can’t change me / So I’m going to save you now”). Mostra, portanto, o momento trágico de consciência ao qual uma relação codependente pode nos levar, em que a única coisa que pode fazer os individuos amadurecerem é abandonarem sua dependência patológica, ou seja, é se afastarem para que possam lidar com a vida por conta própria.

a 3a) é “All I Need” (Radiohead) que apresenta uma relação em que o grau de dependência é tamanho que uma das partes se sente extremamente reduzida, diminuída na relação, secundarizada, como pano de fundo de algo muito maior. Isso, a princípio, parece estar sendo louvado, cantado como algo positivo (você é tudo que eu preciso, eu posso me rebaixar e ser o que vc quiser), mas ao final da música isso já não parece tão certo quando ele grita repetidamente: “It’s all right! It’s all wrong!”. As imagens do vídeo ilustram magistralmente a beleza inicial da relação de codependência (dois vazios que se encontram e prometem fazer tudo um pelo outro) e, mais ao final, a igualmente intensa fragilidade dessa relaçao (quando começa a chuva e aí as partes, que se achavam unidas, se percebem como separadas diante da movimentação afetiva).

I HOPE I DONT FALL IN LOVE WITH YOU – TOM WAITS


Well I hope that I don’t fall in love with you
‘Cause falling in love just makes me blue,
Well the music plays and you display your heart for me to see,
I had a beer and now I hear you calling out for me
And I hope that I don’t fall in love with you.
Well the room is crowded, there’s people everywhere
And I wonder, should I offer you a chair?
Well if you sit down with this old clown, take that frown and break it,
Before the evening’s gone away, I think that we could make it,
And I hope that I don’t fall in love with you.
I can see that you are lonesome just like me, and it being late,
You’d like some some company,
Well I’ve had two, I look at you, and you look back at me,
The guy you’re with has up and split, the chair next to you’s free,
And I hope that you don’t fall in love with me.
And I hope that you don’t fall in love with me.
Now it’s closing time, the music’s fading out
Last call for drinks, I’ll have another stout.
Turn around to look at you, you’re nowhere to be found,
I search the place for your lost face, guess I’ll have another round
And I think that I just fell in love with you.

HE SAID, SHE SAID – JOE PURDY

Where are you going my one true love?
You understand me like no one does
So who’s gonna save me now?
Yeah, who’s gonna save me now?

He said,
Going away love can’t you see
I can’t take you
And you can’t change me
So I’m going to save you now
Yes, I’m going to save you now
She said,
Well I got bruises on my feet he says
And I got cuts on my hands
So who’s gonna help me stand?
Yeah, who’s gonna help me stand?

Well I got wounds that won’t heal she says
Just as deep and just as long
So I’m going to make you strong
Yes, I’m going to make you strong

Well I can’t sleep at night he says
When those lights go out
Well who’s gonna show me how?
Yeah, who’s gonna hold me now?

I have dreams of you she said
I see you hiding your face
So I’m going to make you brave
Yes, I’m going to make you brave

I’m going to save you now
She says,
I’m going to save you now
Yes, I’m going to save you now
I’m going to save me now

Save me now

ALL I NEED – RADIOHEAD


I am the next act waiting in the wings
I am an animal trapped in your hot car
I am all the days that you choose to ignoree

You are all I need
You are all I need
I am in the middle of your picture
Lying in the reeds

I am a moth who just wants to share your light
I’m just an insect trying to get out of the night
I only stick with you because there are no others

You are all I need
You are all I need
I’m in the middle of your picture
Lying in the reeds

S’all wrong
S’alright
S’alright
S’all wrong
S’alright
S’alright
S’alright

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~ por jeffvasques em 15/11/2012.

8 Respostas to “Codependência: a importância do inventário!”

  1. todo desequilíbrio resulta em uma compensação. A compensação pode levar a um desequilíbrio maior ainda…e criar vários tipos de dependência.
    Como tem sido difícil viver hoje sem tocar tão fundo nos desequilíbrios e suas conseqüências…Parabéns, Jeff por ir tão fundo e mostrar a relevância de nos examinarmos sempre…

    • Querida, Raquel, a luta é ampla, profunda, coletiva e íntima… O difícil é se manter conectado, alerta e em luta em todas as esferas… temos muito a aprender (e a ensinar)… vamos juntos! Sempre bom tê-la por aqui! Vamos juntos! bejin, jeff

  2. Parabéns pela iniciativa corajosa.
    Confesso que nunca li muito sobre o assunto. O mais próximo de que cheguei foi com W. Reich e sua idéia de que, ao desvendarmos as leis de funcionamento das relações sociais, aquilo que nos leva à “gosma”, tratemos logo de quebrá-las. A questão é que já fizemos isso e o problema persiste e se agrava.
    Vivemos em um mundo de idealizações. O problema é que, nossos ideais de amor, seja maternal, sexual, fraterno, etc., quando confrontados com a vida real, transformam-se em grandes frustrações. Isso faz com que colecionemos recalques e neuroses. Por outro lado, ao constatarmos sua inviabilidade, resta-nos a fuga na abstração; já que não podemos deixar de amar, e a vida não nos permite engendrar outras concepções de amor.
    Ou seja, não amamos o outro, amamos o discurso do amor ao outro. Não amamos no amor, posto que se tornou o aprendizado da dor, amamos o algo abstrato que na vida real é inócuo e impraticável.
    Tudo isso faz com que, aos poucos, deixemos de amar. Nem no sentido romântico-burguês decadente, e menos ainda em uma perspectiva mais ampla e humanizadora.
    Não sei se há solução possível, no mundo capitalista para esta questão. Francamente, não acredito…
    Cada vez mais, o poema “Amar” de Carlos Drummond de Andrade, torna-se quase uma profecia. Ao assinalar em seus últimos versos que devemos “amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita”.

    (Espero que minha modesta contribuição tenha alguma valia para o seu precioso assunto).

    Abs.,
    maria

    • Maria, há menos coragem e mais necessidade na iniciativa… venho percebendo que compartilhar tuas lutas, mesmo que íntimas, nos fortalece sempre… Não tenho uma visão tão pessimista como a do Drummond, que em certa altura da sua vida, abandonou a possibilidade de luta coletiva e se entregou a um certo niilismo… se fechou na metafísica… acredito no amar, mas num amar ressignificado como tambem uma luta cheia de contradições, como uma palavra-sentimento “sujo” que se faz a partir do chão de barro de nossas marcas, recuos, avanços, e não como uma palavra-sentimento puro que esconde um monte de idealizações etéreas… é um amar difícil que temos que descobrir na luta conjunta por um outro mundo, por outra relações afetivas e também na luta íntima contra certos padrões perversos de afetividade que trazemos… concordo que não é fácil, mas tem que ir se tornando possível desde já, senão não há alimento que nos faça acreditar num novo mundo…. bejin, Maria! Muito bom ouvir tuas reflexoes! jeff

  3. Jeff, uau.
    Tenho pensado muito nos amores possíveis, na libertação do amor romântico-burguês, mas nunca mergulhei mais fundo na ideia da codependência. Muita coisa para pensar a partir daí.
    E muito corajoso expor-se assim.
    Beijo.

    • Oi, Fer!!! =) Gostoso te ouvir aqui… pois sim, andei vendo ali nas suas vontades de ser chuva reflexões sobre o amar, a afetividade… ;) Vamos aprendendo juntos e trocando, Fer! E repito o que disse pra Maria, num comentário acima: é menos coragem e mais necessidade… é minha forma de tornar essa luta mais concreta pra mim mesmo… é o mesmo motivo pelo qual publiquei meu primeiro livro de poesia: ali também está minha luta… e compartilhá-la é aceitá-la e torná-la uma ponte que nos fortalece… assim eu senti e sinto… :} besitos, saudades! jeff

  4. A coragem a que me referi é precisamente a de reconhecer que o problema existe e abrir o peito. Sobre a ressignificação do sentimento amoroso, creio que se possa fazê-lo intimamente, no plano da abstração apenas. Não por niilismo, mas por não identificar em nossa sociedade, qualquer coisa que possibilite o surgimento do nôvo isento de suas potologias. Com isso, não defendo a prostração ou a fuga pela via da metafísica e seus similares. Ao contrário, minha convicção na dialética materialista, leva-me a certeza de que este estado de coisas não é imutável e há que ser superado. Tenho fé na vida, no homem e, sobretudo, nas leis da história e do movimento. Ainda haveremos de construir um mundo onde a metafísica e demais mistificações, serão vistas como coisas de nossa pré-história “espiritual”. Um mundo onde a poesia será a mais elevada encarnação da palavra.
    Abs.,
    maria

    • Oi, Maria!! Sim, concordo contigo, dentro desta sociedade o novo não surgirá por inteiro, mas sempre de forma contraditória, como germe… portanto, acredito sim que é possível avançar desde já,,, claro que de forma tímida, pouco e com relações cheias de contradições… mas acredito muito fortemente que a transformação radical da sociedade se apóia muito nessas sementes do novo, exemplifico: quando vivencio com meus companheiros de luta a solidariedade de uma forma nova, por mais que contraditória e momentânea, isso me dá concretamente a vivência do “novo” ainda que esmagado pelo velho… isso me fortalece e me dá horizontes! Acho que, no fundo, pensamos o mesmo… creio. Fecho aqui dialogando com tua última bela frase, resgatando um poeminha antigo, paráfrase de marx:

      Os poetas
      se limitaram
      a poetizar o mundo
      de diversas maneiras.

      Trata-se, porém,
      de modificá-lo
      (mundificando a poesia).

      bejin, Maria!
      jeff

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