Oxiúros

OXIÚROS

I.
Li na internet,
um cara “cool” falando
– se lê “cu” –
que praticando zen
aprendeu que não precisa
coçar suas coceiras.

A lógica é simples:
como tudo passa
– a árvore, o rio,
o monte, as uvas-passas –
também as coceiras
passam.

Então,
se eu sinto coceira
não preciso coçar…
Se sinto fome
– ele disse –
não preciso comer…
Posso sentir cansaço
e não preciso sentar.
Posso sentir ira
e não preciso gritar.
Posso sentir desprezo
e não é preciso desprezar.

Porque a fome,
o cansaço,
a ira,
o desprezo
também passam…

Auto-controle,
sacô?

Assim,
segundo ele,
podemos
nos libertar
de nossas prisões.

Boquiaberto
achei tudo isso
bonito mesmo,
cândido,
meigo,
fofo.

bem
cu.

II.
Zen-tetos,
zen-terras,
zen-trabalhos
e zen-sentidos
de todo o mundo
univos!

Aos vivos!

(esses involuídos
que ainda praticam
a milenar arte do
“sem”)

vocês não têm
– mesmo! –
nada a perder…

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~ por jeffvasques em 27/08/2013.

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