Spoiler

•27/01/2017 • Deixe um comentário

SPOILER

apesar de um começo
um tanto tradicional,
logo surgem os problemas
e peripécias que fazem
do enredo
– invariavelmente –
uma complexa tragicomédia,
oscilando
do puro “pastelão”
à mais desumana
tragédia.

a acusam,
injustamente,
de uma série chata,
vulgar, estática,
com suas monótonas
temporadas num
sempre mesmo
casa-trabalho-casa
(e, às vezes, farra)
recheada de pequenas
intrigas e míseras
alegrias,
essa coisa melosa
focada no indivíduo
(paixões, traições, trapaças)
tudo junto
numa mistura aguada
de mais-dos-mesmos
gêneros:
do romance à pornô-chanchada
da fantasia ao terror policial
do cult ao trash com muito
sangue, golpes e heróis
salvadores da pátria

há de se concordar
que, no geral,
a produção é barata

mas,
seus críticos
esquecem
que há uma certa
imprevisibilidade
em cada episódio

– por mais improvável, inverossímil e utópico –

que pode transformá-la
desse pastiche-manjado-de-barbárie
em uma épica jornada
de história e ações coletivas,
numa batalha real
– nada mítica –
pela vida, onde
atores soberanos
criam uma obra prima rara
própria desse gênero
– ainda inédito –
o humano.

(no final,
todos morrem)

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Prisma

•27/01/2017 • Deixe um comentário

PRISMA

por um
triz
te
quis

vis
à
vis

kiss
te
tris
por um

Os sem-sono

•18/01/2017 • Deixe um comentário

OS SEM-SONO

mente insana,
corpo insone

que sono
comporta
sonho tão
grande?

mente insone,
corpo insano

um sonho
de séculos
não há sono
que sane

“mens sana in
corpore sano”

somos
sina e insônia
dos sãos,
que não sonham.

na hora de nossa hora

•17/01/2017 • 1 Comentário

NA HORA DE NOSSA HORA

silenciosa
e imprevisível
sempre vem
sem avisar

mal se ouvem
seus passos e
em nossa boca
seu lábio
jaz

quem saberá
sua hora?

ao nascer da aurora?
ao explodir do orgasmo?
sozinho entre sol e ondas?
no instante mesmo do
parto?

certo, apenas,
é que virá

e te insuflará o peito
e queimará teus olhos
e te consumirá por dentro
em fomes e fogos

tão negada
tão temida
grã senhora do nosso assombro

a Vida.

mal abro

•17/01/2017 • Deixe um comentário

pavao-cauda-dourada-1mal abro
os olhos

a morte
me diz

“não me esqueça…”

sonolento
e irritado

pego a caneta
e cravo

às suas costas
– qual flor ou bandeira –
este poema.

já bem acordado
saboreio o café

e o fato

de que
meu pavão cravado
de insolências

espreita.

Soneto popular

•17/01/2017 • 2 Comentários

age20150412425

SONETO POPULAR

o povo é besta, o povo é bravo
o povo é peso, o povo é lastro
o povo é a vela, o povo é o leme
povo coxinha, revolucionário

o povo é urna, o povo é rua
tão ignorante, o povo é sábio
não tem memória, é a própria história
o povo é inocente, o povo é safo

povo é submisso, insubordinado
sempre em atraso, o sol do futuro
cada um por si, o povo é uno

o povo é porva, pavio e pólvora
oh, zé povinho!, oh, povo magno!
o povo é mito, o povo é fato

Magia

•17/01/2017 • 1 Comentário

MAGIA

nada
nesta mão.

nada
nesta outra.

digo as palavras
certas, como:

“por qual inútil janela as nuvens esquecem tua criança?”

e voilá!

eis um poema

em tua
boca.