Teoria queer: de acordo com minha avó

•28/06/2015 • Deixe um comentário


SP - PARADA GAY/SP - GERAL - Participantes durante a 19ª Parada do   Orgulho LGBT de São Paulo 2015,   denominada "Eu Nasci Assim, Eu Cresci   Assim, Vou Ser Sempre Assim: Respeitem-   me!" na Avenida Paulista neste domingo,   07.    07/06/2015 - Foto: SÉRGIO CASTRO/ESTADÃO CONTEÚDO

SP – PARADA GAY/SP – GERAL – Participantes durante a 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo 2015, denominada “Eu Nasci Assim, Eu Cresci Assim, Vou Ser Sempre Assim: Respeitem- me!” na Avenida Paulista neste domingo, 07. 07/06/2015 – Foto: SÉRGIO CASTRO/ESTADÃO CONTEÚDO

(foto de Sérgio Castro – performance da atriz transexual Viviany Beleboni na 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo 2015)

TEORIA QUEER: DE ACORDO COM MINHA AVÓ
(Richard Blanco, Espanha, 1968)

Nunca beber refrigerante com um canudo
de milk shake? Talvez.
Pare de olhar o catálogo Avon de sua mãe,
e a roupa íntima dos homens nesses folhetos da Sears.
Eu tô de olho em você…
Fique de fora das festas de Tupperware dela
e de seus frascos de perfume – não deixe ela te beijar,
ela te beija muito demais.
Evite abraçar homens, mas se você precisar,
dê uns tapinhas bem fortes
nas costas, mesmo
se for teu pai.
Você tem que ter esse gato? Não acaricie ele tanto,
por que você não gosta de cães?
Nunca brinque de casinha, mesmo se você for o marido.
Pare de sair com aquele garoto, Henry, ele é muito pálido,
e eu não me importo como você chama
aqueles bonecos GI Joes dele…
são bonecas.
Não desenhe arco-íris ou flores ou pôr do sol.
Eu tô de olho em você…
Ainda melhor, não desenhe – nada de livros de colorir também.
Abandone seus lápis-crayons, suas comidinhas Play-Doh, seus Legos.
Onde estão seus HotWheels,
sua arma laser e algemas,
as facas que lhe dei?
Nunca empine pipa ou ande de patins, mas lance
quantos fogos de artifício você quiser,
mate todos os lagartos que você puder, corte minhocas –
alimente seu gato com elas.
Não se sente daquele jeito indiano, com as pernas cruzadas –
você não é indiano.
Pare de ficar fazendo barulho com suas sandálias –
você não é nenhuma menina.
Pelo amor de Deus, nunca faça xixi sentado.
Eu tô de olho em você…
Nunca tome banho de espuma ou lave o cabelo
com shampoo – shampoo é para as mulheres.
E também o condicionador.
E o mousse de cabelo.
E loção para as mãos.
Nunca lixe suas unhas ou use o secador de cabelos –
vá ao barbeiro com o seu avô –
você não é unissex.
Fique fora da cozinha. Os homens não cozinham –
eles comem. Coma o que você quiser, exceto:
ovos cozidos*
pirulitos
croissants (rosca? talvez.)
sanduíches de pepino
petit fours.
Não assista Bewitched ou I Dream of Jeannie.
Não olhe fixamente para The Six Million Dollar Man.
Eu tô de olho em você…
Nunca dance sozinho em seu quarto:
Donna Summer, Barry Manilow, Captain
and Tennille, Bette Midler, e todos os musicais –
proibidos.
Posters de gatinhos, Star Wars, ou da Torre Eiffel –
proibidos.
Esses livros chiques sobre arquitetura e arte –
eu os joguei no lixo.
Você não pode usar água de colônia ou conchas
e é melhor eu não te pegar com tamancos.
Se eu te ver com um rabo de cavalo – vou cortar fora.
O quê? Não, você não pode furar sua orelha,
lado esquerdo ou direito –
não me importa –
você não vai parecer uma maldita bicha
eu tô de olho em você…
mesmo se você for uma.

* devilled eggs

(tradução de jeff vasques)

é cego

•13/06/2015 • Deixe um comentário


mortedoamor

Um poema para “celebrar” o dia dos namorados, para “celebrar” esse “amor” responsável por 10% dos homicídios no mundo, sendo a grande maioria das vítimas, mulheres (80% das agressões, abusos e estupros contra mulheres são realizados por pessoas “amadas”).

É CEGO

foi paixão
à primeira vista;
casa, comida
e roupa lavada;
o que deus uniu,
nada separa.

do homem, a praça,
da mulher, a casa;
trair e coçar,
é só começar;
à mulher casada,
o marido lhe basta.

mãos frias,
coração quente;
pancada
de amor
não dói;
quem ama,
sempre entende.

entre marido e mulher,
ninguém mete a colher;
o que os olhos não vêem,
o coração não sente.
quem má cama faz,
nela jaz.

o amor tudo sofre,
tudo crê, tudo espera,
tudo suporta;

quem vê cara,
não vê coração;
à primeira vista,
foi paixão…

agora,
Inês é morta.

(Jeff Vasques)

Há um poema

•29/05/2015 • Deixe um comentário


HÁ UM POEMA

Há um poema que me busca há muito tempo.
Suspeito que já estivemos, sem nos ver, nos mesmos lugares,
e não é improvável que tenhamos amado, alguma vez, a mesma mulher,
que juntos tenhamos rido muito de nada, destinos,
ou que tenhamos perdido alguns cabelos pelos mesmos sofrimentos.
Há um poema que me busca há muito tempo,
e não se cansa,
e este dura já 34 anos.

(Luis Rogelio Nogueras, Cuba, trad. Jeff Vasques)

Entrevista na “Revista Escrita”

•15/05/2015 • 2 Comentários

capa


Querid@s, a 2a edição da Revista Escrita – Literatura e Cultura com a temática “Mudanças” acabou de sair e eles fizeram uma entrevista comigo, sobre o que penso do mundo, da necessidade de sua transformação e da poesia nisso tudo… baixe a revista e prestigie esse trabalho tão raro e árduo, hoje em dia, de reunir e divulgar arte livremente! Obrigado aos esforços de Daniel Costa, João Paulo Moreto e toda equipe!
Emoticon wink
A revista pode ser baixada aqui: https://revistaescrita.files.wordpress.com/…/revista-escrit…

Errata: Na entrevista, aparece algumas vezes escrito Goulart, mas não se trata do presidente, mas sim do Gullar, poeta! ;) rsrs eles devem corrigir isso em breve!

Roque Dalton presente!

•14/05/2015 • Deixe um comentário


Roque-Dalton

Hoje, 14 de maio de 2015, Roque Dalton, um dos maiores-poetas lutadores da América, faria 80 anos, e aqui celebramos sua vida e sua poesia com a tradução de seu poema “Canto a nossa posição”. Roque foi assassinado há 40 anos atrás, no dia 10 de maio, por seus próprios companheiros de partido, motivados por sua postura não dogmática, profundamente questionadora e rebelde. Apesar de sua enorme influência na poesia e inspiração na luta revolucionária, continua um quase desconhecido no Brasil. Roque Dalton presente!!!

“Roque Dalton era um homem que aos quarenta anos dava a impressão de um menino de dezenove. Tinha algo de criança, condutas de criança, era travesso, brincalhão. Era difícil saber e se dar conta da força, da seriedade e da eficácia que se escondiam detrás desse rapaz.” (Júlio Cortázar)

“Ninguém menos solene que Roque Dalton, ninguém mais capaz de fazer rir até nas horas negras, mais disposto a aventurar-se de peito aberto contra o perigo…” (Eduardo Galeano)

Ouça o poema “À Roque” feito por Mario Benedetti: https://www.youtube.com/watch?v=7eCwVeZLXQc

CANTO A NOSSA POSIÇÃO
(Roque Dalton, El Salvador, 1935-1975)
a Otto René Castillo

Nos perguntam os poetas de pavorosos bigodes,
os acadêmicos empoeirados, amigos das aranhas,
os novos escritores assalariados,
os que suspiram para que a metafísica dos caracóis
lhes cubra a impudicícia:

Que fazeis vós de nossa poesia açucarada e virgem?
Que, do suspiro atroz e dos cisnes puríssimos?
Que, da rosa solitária, do abstrato vento?
Em que grupo os classificaremos?
Em que lugar os enquadraremos?

E não dizemos nada.

E não dizemos nada.
E não dizemos nada.

Porque ainda que não digamos nada,
os poetas do hoje estamos em um lugar exato:
estamos
no lugar em que nos obrigam
a estabelecer o grito.
(Ah, como dou risadas dos antigos poetas
obstinados em vendar seus olhos
e em untar de pétalas e de passarinhos famélicos
a corcunda da dor desconcertante
que se monta sólida
em cima do ombro positivo universal
desde o primeiro amanhecer e do primeiro vento,
e que se esqueceram do homem)
Estamos
no lugar exato que a noite precisa
para ascender à aurora.
(Muitos poetas inclinaram suas insônias antigas
sobre a fácil almofada azul da tristeza.
Construíram cidades e astros e universos
sobre a anatomia medíocre
de um ninho de manequins cristalinos
e exilaram a voz elementar
em planos altíssimos, desnudados
da raiz vital e da esperança.
Mas se esqueceram do homem)
Estamos
no lugar onde se gesta definitivamente
a alegria total que se atará à terra.
(Ai, poetas,
Como pudestes cantar vergonhosamente
as abstratas rosas e a lua brilhante
quando se caminhava paralelamente ao litoral da fome
e se sentia a alma sepultada
de baixo de um vulcão de chicotes e cárceres,
de patrões bêbados, de gangrenas
e de obscuros desperdícios de vida sem estrelas?
Gritastes alegria
sobre um amontoado de cadáveres,
cantastes a plumagem mimada
e as cidades cegas
à toda sorte de tísicas amantes;
mas se esqueceram do homem)
Estamos
no lugar onde começa o estaleiro
que vai inundar os mares com sorrisos lançados.

(Ai, poetas que esquecestes do homem,
que esquecestes
de como doem as meias rasgadas,
que esquecestes
do final dos meses dos inquilinos,
que esquecestes
do proletário que ficou na esquina
com um bocejo eterno inacabado,
cheio de balas e sem sangue,
cheio de formigas e definitivamente sem pão,
que esquecestes
das crianças doentes sem brinquedos,
que esquecestes
do modo de tragar das mais negras minas,
que esquecestes
da noite de estréia das prostitutas,
que esquecestes dos choferes de taxi vertiginosos,
dos ferroviários
dos operários dos andaimes,
das repressões assassinantes
contra o que pede pão
para que não se morram de tédio
os dentes na boca,
que esquecestes
de todos os escravos do mundo,
ai, poetas,
como me doem
vossas estaturas inúteis!)

Estamos no lugar em que se encontra o homem.
Estamos no lugar em que se assassina o homem,
no lugar
em que os poços mais negros se submergem no homem.
Estamos com o homem
porque antes muitíssimo antes que poetas
somos homens.
Estamos com o povo,
porque antes, muitíssimo antes que maritacas alimentadas
somos povo.
Estamos com uma rosa vermelha entre as mãos
arrancada do peito para oferecê-la ao homem!
Estamos com uma rosa vermelha entre as mãos
arrancada do peito para oferecê-la ao homem!
Estamos com uma rosa vermelha entre as mãos
arrancada do peito para oferecê-la ao Povo!
Estamos com uma rosa vermelha entre as mãos
arrancada do peito para oferecê-la ao Povo!

(tradução de Jeff Vasques | para mais poesias de Dalton: https://eupassarin.wordpress.com/tag/roque-dalton/)

antologia

•08/05/2015 • Deixe um comentário


entre
ser-se

e ser
se…

todas as
estórias
de amor.

Curtinhas

•01/05/2015 • Deixe um comentário

mi
mimo

mi
nino:

míni
moh
in
o

im
im

———

a carne
é franca

———-

a vida das coisas
não são
coisas da vida

————–

lua alta…
tua falta
aclara.

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 228 outros seguidores