Poema para a educação moral e cívica

•17/10/2017 • 2 Comentários

POEMA PARA A EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA
(recomendado para maiores de 18 séculos)

este poema
sem que você per
ceba coloca
– gentilmente –
em tua bo
ca buc
eta pin
to cu te
ta.

sorry,
eis já a treta…

não há mais nada
a ser feito, querido,
aguenta

as imagens
já vão
– guela abaixo –
descendo

aproveita e sente
isso tudo aí
dentro….

não tente cuspi-las
não, nem é possível
deslê-las

sim, duro ter sido
assim
atraído
por um título
duvidoso,
mas sei, algo aí
sente, também,
o prazeroso
deleite de ler
esse leite
jorrando
quente
esse maná
manando na
mente…

(shiiiu, aqui entre parênteses,
eu sei de você fechado em teu quarto
a sós com este texto
– fique tranquilo,
estamos só a gente –
eu guardo bem teu
segredo esse teu
clandestino desejo
que te faz seguir
me lendo re
lendo re
virando os
olhinhos entre
abrindo os
dentes nesse
gozo da
sua língua
soletrando
a minha)

perde o medo e
aceita,
terás que conviver
com esse gre
lo em teu ra
bo quero dizer
com esse feito
esse fato

não meta,
quer dizer,
não tema!

é só uma
punheta
um poema
um punhado
de pa
lavras
larvas
na tua
cabeça

é só arte
abstrata
escorrendo
de sua boca
esse prazer
da porra!

não esquenta!
não pira!

a vida
mesmo
não tem
dessas
coisas

– caralhovaginaprazertesãoalegria –

não,

a vida
é pura

censura…

16 mil
crianças
morrendo
de fome
por dia.

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não há fuga

•10/04/2017 • Deixe um comentário

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não há
fuga

a vida
ruma

uma

mas há
rumos

e mais
rumos

numa

do impensável

•04/04/2017 • Deixe um comentário

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[foto de Aline Losada]

do impensável
nasce o
impossível

do impossível
se nutre o
improvável

do improvável
cresce o
imprevisível

do imprevisível
floresce o
o inesperado

e do inesperado,
eis seu fruto,
doce,
impassível.

hasteia

•13/03/2017 • 2 Comentários

hasteia
tua tristeza
tão alto quanto
possas…

quanto mais
gente a veja,
menos tua,
mais nossa.

sei que
triste
segue
a tristeza

mas, veja,

se nos céus
se encontram
nossos olhos

mais que dor

empunhas
uma bandeira.

não há túmulo

•07/03/2017 • Deixe um comentário

não há túmulo,

só tumulto

 

da vida vim,

à vida rumo

 

hoje, homem…

amanhã, húmus…

Desnudos

•27/01/2017 • Deixe um comentário

DESNUDOS

me pediu
um nude

pá!

direta…

e, você sabe…
copo d’água e nude
não se nega

e eu nem queria
parecer careta
rude

então mandei logo o
schwarzenegger

ela riu
kkkkk
e com o coração nos olhos
me mostrou sua bündchen

eu, slc,
relâmpago palmas fogo
já fui postando o Cruise
o Pit e o Cuoco

a diabinha,
rindo e chorando,
emendou a Jolie,
Sônia Braga e
a Monroe

e assim seguimos
cereja língua boca
um nude atrás
do outro

até que
do nada

ela me manda
seu sonho
rs

rs
eu envio
o que tenho

e assim
meio sem jeito
a conversa segue
enquanto pouco
a pouco tiramos
o que nos
veste

quando o
silêncio chega
já estamos despidos
e, assustados, nos
despedimos

mas antes do
sorriso estrela beijo gata
eu a convido pra
– quem sabe
algum dia,
se pá –
tomar comigo
– ao vivo –
um chat.

Spoiler

•27/01/2017 • Deixe um comentário

SPOILER

apesar de um começo
um tanto tradicional,
logo surgem os problemas
e peripécias que fazem
do enredo
– invariavelmente –
uma complexa tragicomédia,
oscilando
do puro “pastelão”
à mais desumana
tragédia.

a acusam,
injustamente,
de uma série chata,
vulgar, estática,
com suas monótonas
temporadas num
sempre mesmo
casa-trabalho-casa
(e, às vezes, farra)
recheada de pequenas
intrigas e míseras
alegrias,
essa coisa melosa
focada no indivíduo
(paixões, traições, trapaças)
tudo junto
numa mistura aguada
de mais-dos-mesmos
gêneros:
do romance à pornô-chanchada
da fantasia ao terror policial
do cult ao trash com muito
sangue, golpes e heróis
salvadores da pátria

há de se concordar
que, no geral,
a produção é barata

mas,
seus críticos
esquecem
que há uma certa
imprevisibilidade
em cada episódio

– por mais improvável, inverossímil e utópico –

que pode transformá-la
desse pastiche-manjado-de-barbárie
em uma épica jornada
de história e ações coletivas,
numa batalha real
– nada mítica –
pela vida, onde
atores soberanos
criam uma obra prima rara
própria desse gênero
– ainda inédito –
o humano.

(no final,
todos morrem)